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21 de maio, 2021

Entenda a parábola das dez virgens

O noivo vem!

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O Senhor Jesus estava assentado no monte das Oliveiras quando então proferiu a parábola das dez virgens. É importante notar que parábola é um método de ensino que faz uso de linguagem simbólica por meio da qual as verdades era proferidas. Era comum que fossem utilizando elementos da vida cotidiana dos espectadores. Então, por meio desta metodologia, Jesus se utiliza de símbolos (alegoria) a fim de que um ensino superior, verdadeiro e concreto pudesse ser passado adiante.

Na parábola das dez virgens, o Senhor fez questão de deixar registrado a necessidade de a Igreja estar preparada para o encontro com Ele nas nuvens, por ocasião de Sua triunfante segunda vinda.

Assim, a vigilância é um tema central desta passagem bíblica. Mas, então, o que significa a parábola das dez virgens? Como ela pode ser aplicada em nossas vidas? Como esta passagem muda nossas vidas?

Breve introdução

Com vistas ao demonstrar o ensinamento, o Senhor Jesus compara o reino dos céus a uma festa de casamento. Naquela época era comum o casamento acontecer em três estágios, são eles:

  1. Compromisso com o noivo: era feito um contrato entre os pais da noiva e do noivo;
  2. Noivado: a cerimônia era realizada na casa dos pais da noiva. Nesta ocasião, tanto o noivo como a noiva faziam mútuos compromissos diante de testemunhas presentes no local. O noivo dava presentes à sua noiva;
  3. Casamento: o noivo buscava a noiva na casa de seu pai e levava em cortejo de volta para sua casa, onde, então, acontecia a festa do casamento.

Importante notar que, no que diz respeito ao número das virgens ser 10 (dez), não deve ser especialmente espiritualizado. A ênfase nesta parábola são dois grupos: (1) noivas que estavam preparadas; (2) noivas que não estavam preparadas. As virgens representam a igreja do Senhor: (1) as prudentes são os crentes verdadeiros, que tiveram sua vida transformada pelo poder do Espírito Santo; (2) as loucas representam o grupo daqueles que se dizem crentes, mas que não nasceram de novo e, assim, não perseveraram no processo de santificação.

Devemos lembrar que o próprio Senhor Jesus já tinha alertado que no campo estarão juntos o joio e o trigo (Mateus 13.24). A separação de um e outro dar-se-á apenas quando os ceifeiros (anjos) arrebatarem os escolhidos de Deus (representando o trigo), levando-os para encontrar o Senhor nos ares, nas nuvens. O joio, como não tem fruto (é apenas palha), será queimado no fogo eterno que nunca se apagará (juízo final).

Infelizmente, hoje em dia é muito comum vermos pessoas sendo batizadas, estando no rol de membros da igreja, participam dos cultos, até mesmo trabalham em algum setor da igreja, mas NUNCA se converteram verdadeiramente. Quando Jesus retornar vitoriosamente ficarão de fora os crentes apenas nominais. Os crentes verdadeiros, por sua vez, estarão para sempre com o Senhor.

Nossa vida cristã é cercada por expectativa para o retorno do Senhor Jesus. Jesus é o amado da nossa alma. Nós amamos a vinda do Senhor.

Necessidade do preparo

Importante notar que: todas eram virgens, todas tinham lâmpadas acesas em suas mãos e todas saíram ao encontro do noivo.  E mais: todas aguardavam a vinda do noivo. Contudo, há uma diferença brutal entre elas, a ponto de Jesus dividi-las em loucas (néscias) e prudentes. Sabe o que diferenciava os dois grupos? O azeite nas vasilhas.

As loucas pensavam que pelo fato de estarem aguardando o noivo, com suas lâmpadas acesas, isto seria suficiente para entrar para as bodas. As prudentes, com efeito, levavam consigo azeite em suas botijas.

Há muitos crentes que dizem professar a verdadeira fé cristã, porém não tem azeite no depósito secreto, onde só o Senhor vê.

Imaginemos nós vendo esta cena: 10 virgens com suas lâmpadas acesas e dormindo. Certamente nós não conseguiríamos enxergar com nossos olhos humanos quais eram verdadeiramente as virgens loucas e prudentes. O que as pessoas ao redor não podem ver é se tem ou não azeite na botija. Sobre isto, só as prudentes e o Senhor sabem. Uma verdade que esta parábola nos deixa claro: crentes nominais vão enfrentar problemas na vinda do Senhor.

William Hendriksen pontua muito bem ao afirmar que a insensatez dessas cinco virgens consistia na inteira ausência de preparo pessoal. O óleo é símbolo do Espírito Santo. Ser prudente é ser cheio do Espírito Santo. Hernandes Dias Lopes expôs que “ninguém pode entrar no céu com azeite alheio”. A benção do Senhor é pessoal, intransferível.

Aliás, o apóstolo Paulo deixou claro que quem não tem o Espírito Santo não é verdadeiramente de Cristo.

Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. Romanos 8.8-9

A salvação não é passada de forma hereditária, de pai para filho. Não! A salvação é pessoal e intransferível. O que os pais devem é transmitir a herança do Senhor aos seus filhos, de modo que eles estejam expostos à mensagem do evangelho. Somente o Espírito Santo faz o homem nascer de novo, da água e do Espírito. O notável professor R. C. Sproul já dizia: “Não podemos compartilhar o Espírito Santo com aqueles que não o têm. Ninguém pode entrar no reino de Deus pegando carona com quem tem fé genuína. Não é possível confiar na fé do pai, da mãe, da esposa ou de qualquer outra pessoa”.

Ao escrever seu comentário sobre o evangelho relatado por Mateus, Spurgeon diz que a falta do óleo da graça é algo fatal. Muitos professam ser cristãos, mas na verdade o Espírito Santo não vive dentro deles: as pessoas ao redor podem até ser enganadas pela falsa aparência de piedade, mas só o noivo sabe se a pessoa tem azeite ou não. O noivo sabe se a fé é aparente ou se é verdadeira.

Todas as virgens adormeceram

O noivo tardou. Com isso, todas as virgens adormeceram. Até esse momento, não fica aparente quais das virgens possuem azeite consigo e quais não o possuem. Todas parecem iguais. A questão que deve ser enfatizada é que as prudentes, apesar de estarem dormindo, estão vigilantes, porquanto guardam consigo azeite em suas botijas. As loucas, por sua vez, dormem e não cuidam de ter azeite consigo.

Devemos compreender que estamos vivendo quase 2.000 anos de história do cristianismo. Já tem bastante tempo que o noivo disse que iria voltar, mas ainda não voltou. Com isso o Senhor Jesus deixa evidenciado que, sob a ótica dos seres humanos, ele tardaria para voltar. Ele também deixou registrado isso na parábola dos talentos, em Mateus 25.19:

Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles. Mateus 25.19

Também podemos conferir nas escrituras: Mateus 24.9, 14:

Então, sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome. Mateus 24.9

E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim. Mateus 24.14

Entretanto, sob a ótica do Espírito, Jesus Cristo diz: “EIS QUE PRESTO VENHO!”.

Eis que presto venho. Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro. Apocalipse 22.7

Assim, a ênfase do texto ao falar que todas as virgens estavam dormindo denota que Cristo iria “tardar” à luz do entendimento humano. Mesmo assim, sua Igreja Fiel, que atravessa séculos de história, continua dizendo: Vem, Senhor Jesus! Vem, Amado da nossa alma! As prudentes, ainda que estivessem dormindo (porquanto o noivo havia demorado para chegar), estão preparadas para o encontro. A noiva está cheia do Espírito Santo. As vestes nupciais da noiva de Cristo é resplandecente, porque fora purificada pelo sangue de Jesus.

O grito da meia-noite: o desespero

Quando deu meia-noite, ouviu-se o grito: “Eis o noivo! Saí ao seu encontro!” (Mt 25.6). Foi apenas à meia-noite que a diferença entre elas se mostrou evidente. O anúncio da chegada do noivo despertou todas as virgens. Enquanto as prudentes regozijaram, as loucas se desesperaram, porque sabiam que não tinham condições de se encontrar com o noivo. Nesta hora, não tem mais jeito. Não tem mais azeite para comprar. Não haverá mais possibilidade de arrependimento, que é produzido dentro do homem apenas pelo poder do Espírito Santo. Não há saída.

Nesta passagem Charles Spurgeon faz um alerta: “É uma pena que alguns somente buscarão abastecer sua lâmpada quando estiverem para morrer ou quando o sinal do filho do homem aparecer no céu; mas, se buscarmos fazer esse trabalho sem o Espírito ou a graça de Deus, isso resultará em uma falha eterna”.

Devemos compreender que lâmpada (candeia) sem azeite para pouco aproveita. O que alimenta o fogo é o azeite. Aparência de crente não é suficiente para salvação; é necessário novo nascimento.

J. C. Ryle afirma que a segunda vinda de Cristo, qualquer que seja o momento que aconteça, pegará muitas pessoas de surpresa. Mas aquelas pessoas que são ovelhas do Sumo Pastor não serão pegas pela surpresa do desespero, mas estarão cheias de uma alegria que nunca terá fim.

Interessante pontuar uma frase de Spurgeon muito oportuna sobre o fato de as loucas pedirem azeite para as prudentes: nenhum crente tem mais graça do que realmente precisa. As prudentes não tinham azeite para dar para as loucas. Não há como pedir emprestado a benção do Espírito Santo. Ninguém consegue barganhar um relacionamento com Deus.

A vinda do Senhor Jesus será repentina, visível e audível. Todas as virgens ouviram que o noivo chegou, tanto as prudentes como as loucas. Assim, até mesmo os ímpios ouviram (crentes nominais, que são parte do grupo de ímpios aos olhos de Jesus). Vejamos como será estrondoso este dia:

Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória. E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus. Mateus 24.29-31

A palavra clangor (Almeida Revista e Atualizada) significa som muito forte, estridente, estrondoso, como de instrumentos metálicos de sopro (trombeta, trompa, etc…). A palavra original no grego é φωνη (phone), que representa justamente a palavra portuguesa clangor.

A porta fechada para as loucas

Após as virgens prudentes terem entrado na festa, a porta se fechou. As loucas tentaram dar um jeito para seu despreparo. Com desespero, batem à porta clamando: “Senhor, abra-nos! Abra-nos!”.

A palavra usada para senhor em grego é κυριος (kurios), que significa “meu dono”, “meu proprietário”. Observem o ato de desespero. Assim, não adianta a pessoa dizer que pertence a Cristo se de fato o coração desta pessoa não pertencer a Ele.  A fé meramente vocalizada, sem raiz interior, é morta. Na verdade, esta fé não é a fé genuína, que é firme fundamento; é, talvez, apenas um sentimento.

A resposta do noivo para as virgens loucas: “Em verdade vos digo que não vos conheço”. A palavra “conhecer” empregada no original é ειδω (eido), deve ser interpretada como um ato de se relacionar, de pertencer. Então, a palavra “conhecer” não está ligada ao fato de apenas ouvir falar de uma pessoa. O noivo está basicamente dizendo às loucas: “eu não tenho compromisso de relacionamento com vocês”.

Aliás, o próprio Senhor Jesus, ao discorrer sobre os falsos profetas, deixou registrado:

Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade. Mateus 7.22-23

Vigilância: o dever de todo o crente

Dizer ser servo de Deus é uma coisa. Agora, caminhar com Cristo é diferente. Jesus nos convocou para termos relacionamento com Ele, por meio do Seu Espírito Santo. A expressão “POIS“, escrita em Mateus 25.13 expressa a ideia de “pelo exposto”, “por esta razão”. Assim, o Senhor Jesus deixa evidente que o preparo é necessário para não ficar de fora desta Grande Festa;

As bodas do Cordeiro é o momento singular e maravilhoso da ressurreição dos crentes adormecidos, do arrebatamento dos escolhidos de Deus e da nossa reunião com Cristo nos ares.

Em muito em breve, Jesus Cristo voltará com poder e grande glória. Este momento será certo, pessoal, visível (todo o olho verá), audível, inesperado, repentino, inescapável e glorioso! (paráfrase do Rev. Hernandes Dias Lopes)

Tudo o que mais ansiamos é ouvir: “Eis o noivo, saí ao seu encontro!”, e, por conseguinte, entrarmos nas bodas do Cordeiro.

Então, o que esta parábola nos ensina?

  1. Todas as pessoas que professam o nome de Jesus parecem iguais. Todas essas pessoas sabem que Jesus um dia virá para buscar Sua Igreja Fiel;
  2. Apesar de haver semelhanças entre os crentes, para Cristo existem os crentes verdadeiros e os falsos. A semelhança entre os crentes é de certa forma superficial, pode ser observado apenas com o olho humano. Porém, o Senhor é quem sonda os corações. Jesus Cristo são quem são Suas ovelhas, aquelas nas quais ele pagou o preço da redenção na cruz do Calvário;
  3. A diferença entre os crentes dar-se-á apenas na vinda do Senhor Jesus. Lembremos, também, da parábola do Joio e do Trigo (a separação entre eles deu-se apenas quando houve a colheita);
  4. O Senhor Jesus deixa evidenciado que transcorrerá um período longo entre a primeira e segunda vinda (cf. Mt. 25.19). Estamos vivendo quase 2.000 anos de história do cristianismo. Porém, os sinais que vemos ocorrendo nos últimos tempos denotam cristalinamente que estamos vivendo os últimos instantes nesta terra;
  5. A vinda do Senhor Jesus será súbita, visível e audível. Tanto para os crentes fieis (grupo das virgens prudentes) como para os infiéis (ímpios);
  6. A preparação para a vinda do Senhor é intransferível (Mt. 25.7-9). Não aceita procuração. Veja também: Salmo 49.7; Provérbios 9.12; Gálatas 6.3-5;
  7. Não haverá segunda chance para os que ficarem de fora, conforme descrito em Mateus 25.10-12. Cf. Mateus 7.22-23; 10.32-33; 24.37-42; 25.34-46; 2 Coríntios 5.9-10; Gálatas 6.7-8; 2 Tessalonicenses 1.8-9; Hebreus 9.27.
  8. A expressão “POIS”, escrita em Mateus 25.13 expressa a ideia de “pelo exposto”, “por esta razão”. Assim, o Senhor Jesus deixa evidente que o preparo é necessário para não ficar de fora desta Grande Festa;

Que Deus possa te abençoar poderosamente com este ensino!

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