Viver em uma sociedade obcecada por “autenticidade” e pela busca desenfreada por influência digital pode tornar o chamado bíblico um tanto quanto contraintuitivo. No entanto, o apóstolo Paulo apresenta um padrão que ignora as métricas de popularidade deste mundo: o chamado para sermos imitadores de Deus.
Quem você está tentando imitar? Neste artigo, exploraremos o texto de Efésios 5.1-6, compreendendo o padrão esquecido do discipulado e como o amor sacrificial de Cristo redefine nossa ética, nossa fala e nossos relacionamentos.
O Chamado à Imitação: Menos “Autenticidade”, Mais Cristo
Muitos buscam ser referências nas redes sociais por suas próprias habilidades, mas a igreja tem um chamado diferente: proclamar que não buscamos a nossa própria glória, mas a imitação de Jesus. Paulo é enfático ao dizer que devemos ser imitadores de Deus como filhos amados.
- O Padrão é Cristo: Não seguimos a Jesus “do nosso jeito”, mas nos termos que Ele mesmo estabeleceu.
- Conhecimento e Oração: Só podemos imitar a quem conhecemos; por isso, o estudo das Escrituras e a vida de oração são fundamentais para nos relacionarmos com o Deus que nos amou primeiro.
- A Prática do Amor: Embora não possamos imitar os atributos incomunicáveis de Deus (como Seu poder criador), podemos e devemos copiar o Seu amor em nossa finitude humana.
O Amor que Reflete o Caráter de Deus
O amor cristão não é um sentimento vago, mas uma entrega voluntária que reflete o caráter do Criador. João reforça essa ideia ao dizer que o amor consiste no fato de Deus ter enviado Seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.
A verdadeira igreja não é uma multidão que simplesmente segue Jesus, mas a reunião de todos aqueles que seguem Jesus nos termos de Jesus…
(Madureira, Jonas. O custo do discipulado: A doutrina da imitação de Cristo, p. 27).
É fundamental entender que todo pecado é cometido com base no amor, mas um amor distorcido. Adão e Eva amaram mais a si mesmos e à mentira da serpente do que a Deus. Na igreja local, o amor deve transbordar em acolhimento e, quando necessário, em disciplina, sempre visando a santidade.
O que Não Deve Nem Sequer ser Nomeado
Paulo contrasta o amor sacrificial com práticas que desonram a Deus. Ele lista três áreas onde a vigilância deve ser constante:
Sexo, Religião e Economia
No contexto de Éfeso, havia uma forte ligação entre cultos de fertilidade (prostituição sagrada) e o lucro econômico dos artesãos de ídolos.
- Impudicícia (Porneia): Refere-se a qualquer imoralidade sexual fora dos padrões divinos.
- Cobiça e Avareza: Paulo define o avarento como um idólatra, pois ele coloca o dinheiro, o poder ou o prazer acima do Senhor.
- Pureza: O padrão que Deus estabelece é a santidade; por isso, tais pecados não devem ter espaço ou sequer suspeita entre os santos.
O Cuidado com a Língua
A santidade também alcança a nossa comunicação. Paulo proíbe:
- Conversação Torpe: Linguagem obscena ou moralmente repugnante.
- Palavras Vãs: Discursos persuasivos que tentam relativizar o pecado ou distorcer o evangelho.
- Chocarrices (Eutrapelía): No contexto paulino, refere-se ao uso de piadas imorais com conotações sexuais.
O Alerta Escatológico: Herança e Juízo
Não se engane: o pecado tem consequências eternas. Paulo adverte que nenhum impuro, incontinente ou avarento tem herança no Reino de Cristo e de Deus.
A ira de Deus sobre os “filhos da desobediência” é uma realidade bíblica. No entanto, para os filhos de Deus, a esperança é outra: não seremos punidos porque Cristo se ofereceu em nosso lugar. Nossa vida de santidade não é para sermos aceitos, mas porque já fomos amados desde a fundação do mundo.
Conclusão: Um Chamado ao Arrependimento
Deus chama a todos ao arrependimento e à aplicação prática do Evangelho. Você não precisa de linguajar profano ou comportamentos mundanos para ser incluído em um grupo; Deus já te acolheu na família d’Ele por meio de Jesus.
Como você tem aplicado essas verdades no seu dia a dia? Quem você está tentando imitar? Lembre-se: o amor de Deus transforma não apenas o seu coração, mas toda a sua comunidade.