Sobre o Batismo – CPRC


Thomas Miersma

Tradução: Marcelo Herberts

Jesus disse: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mateus 28:19).

Esse texto, que antes de tudo fala a respeito da exortação à pregação do evangelho e à obra das missões, trata também do batismo. É a ordem de administrar o batismo. Entre os muitos elementos a se fazer menção desse versículo, todavia um, Jesus claramente ensina que há um Deus, um nome (singular) e no entanto Deus é Pai, Filho e Espírito Santo, três pessoas. Jesus ensina a doutrina da Trindade.

Vários elementos sobressaem nas palavras de Jesus concernentes ao batismo, que é o nosso foco aqui. Primeiro, Jesus transmite a ordem do batismo aos seus discípulos e por meio deles, à igreja. Pelo batismo nós somos trazidos à união com o nome de Deus, batizados em Seu nome. Batismo com água é administrado a nós. É algo que Deus está realizando através de Cristo. Nós devemos “ser batizados,” assim como o apóstolo Paulo, no dizer de Ananias (Atos 22:16). Ao passo que somos exortados a buscar essa ordenança de Deus e Ananias exorta o apóstolo Paulo a buscar o batismo e “lavar os seus pecados,” desse modo o batismo é algo que nos é dado, realizado em nós. Nisto o homem é passivo. Nós devemos “ser batizados” (Isso distingue o batismo da Ceia do Senhor, que envolve um comer e beber ativos).

Segundo, nós somos batizados “no nome” (ou mais literalmente “pelo” nome) de Deus. No batismo Deus fala, e não o homem. Deus coloca Seu nome sobre nós, separando-nos para Si mesmo através da Sua obra redentora em Cristo. A verdade que o homem é passivo e que é Deus quem fala, é importante. No dizer a nós o que o batismo é e o que ele não é, fica exposto diante de nós a sua natureza. De acordo com a instrução de Jesus, o batismo não é uma ação nem uma palavra do homem. A noção de que o batismo é uma confissão de fé por parte do homem, uma espécie de confissão pública simbólica, é falsa. É verdade que a confissão de fé e do pecado e arrependimento acompanham o batismo de adultos e chefes de casa (Mateus 3:6; Atos 8:37), mas isto em si mesmo não é o batismo. Batismo, segundo a instrução de Jesus, é Deus proferindo a Sua Palavra como um sinal e selo visível, por meio do qual Ele revela as promessas do evangelho. Um sinal visível do lavar os pecados e da retidão em Cristo (Atos 22:16), do lavar regenerador ou do ser nascido de novo e da renovação do Espírito Santo (Tito 3:5), é um sinal e penhor das promessas do evangelho e do nosso encaminhamento em união a elas pela graça de Deus em Cristo.

Esse é o ponto de Jesus com respeito ao batismo em Marcos 16:16. Jesus disse “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Marcos 16:16). O ponto do texto é que, debaixo do evangelho, os crentes são salvos e os incrédulos são condenados. O significado espiritual do batismo, como sendo um lavar os pecados e um nascimento espiritual, é o que Jesus tem em vista a fim de esclarecer como os crentes são salvos. Eles são lavados no sangue de Cristo, nascidos de Deus, e assim, crêem. A fé em si mesma não nos salva. Ela é apenas um instrumento da graça que nos direciona às bênçãos da morte de Cristo. Aquele que é verdadeiramente trazido para dentro da realidade espiritual representada pelo batismo mediante a fé, é salvo. Jesus não está ensinando que nós somos salvos por conta da nossa profissão de fé e batismo com água, mas que aquele que é trazido pela graça de Deus mediante a fé para as bênçãos da morte e da ressurreição de Cristo, cujos pecados são lavados no sangue de Cristo e renovados pelo Seu Espírito, é salvo. É porque o batismo com água é um sinal e selo visível dessas bênçãos, que Jesus assegura os seus discípulos mediante a promessa de Marcos 16:16, “Quem crer e for batizado será salvo.” Isso significa também que o simples batismo com água, que é apenas um sinal e selo, não salva ninguém. A graça não está na água (I Pedro 3:21).

No ato de colocar à frente esse sinal e selo do Seu sangue e Espírito, Jesus chama a nossa atenção para o fato que por meio dessa realidade espiritual nós somos trazidos para dentro da comunhão com o nome de Deus. Nós somos batizados “no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo,” a morte expiatória de Jesus e o poder vivificante do Espírito nos torna filhos de Deus. Deus torna-se o nosso Deus e Pai. Nós somos conduzidos para dentro das bênçãos do pacto da graça de Deus. O pacto de Deus é uma relação de irmandade e comunhão de vida em que Deus se torna o nosso Deus e nós constituímos o Seu povo. Era essa a palavra de Deus a Abraão, “Estabelecerei a minha aliança como aliança eterna entre mim e você e os seus futuros descendentes, para ser o seu Deus e o Deus dos seus descendentes” (Gênesis 17:7). Falar do batismo apenas como um lavar no sangue e Espírito de Jesus é ignorar a bênção estabelecida por meio dele, isto é, que Deus em Cristo torna-se o nosso Deus. No batismo Deus fala ao Seu povo lavado no sangue de Jesus o que Ele disse a Abraão, Eu serei o vosso Deus. Batismo e circuncisão são de fato a mesma coisa em diferentes feições, ambos sendo sinais e selos da nossa incorporação ao pacto de Deus, que está assentado sobre uma obra de Deus na morte de Jesus (Colossenses 2:11-12).

O que Jesus nos ensina através da Sua instrução concernente ao batismo é que os gentios, “todas as nações,” são agora reunidos pelo nome de Deus e para dentro do pacto da irmandade com Ele. Que os gentios que uma vez estavam alienados dos pactos da promessa (Efésios 2:12) são agora aproximados mediante o Seu sangue (Efésios 2:13) e tornados concidadãos dos santos e membros da família de Deus (Efésios 2:19). O batismo é o sinal e selo neotestamentários do pacto de Deus e a nossa incorporação a ele e às suas bênçãos. É um sinal e selo exterior, visível, de uma realidade espiritual invisível que Deus dá aos Seus eleitos. Assim como a Ceia do Senhor foi dada para substituir os sacrifícios do Antigo Testamento e a Páscoa como um novo testamento no sangue de Jesus, o batismo é um sinal e selo da incorporação ao sangue de Cristo, que é tanto a verdadeira circuncisão de Cristo (Colossenses 2:11) como o sinal e selo do pacto de Deus no Novo Testamento. Nós somos batizados “no nome” do Deus triúno.

Na relaç��o com o batismo infantil, esse é tão-somente o ensino consistente da Palavra de Deus sobre o batismo. Os filhos dos crentes nunca foram excluídos do pacto de Deus, das bênçãos da morte de Cristo e da vida nEle. A promessa de Deus é “Eu serei o seu Deus e o Deus dos seus descendentes.” Esse pacto vincula a vontade de Deus a fim de estabelecer isso “em suas gerações” (Gênesis 17:7). O testemunho de Jesus, “dos tais é o reino de Deus” (Marcos 10:14), fala a mesma linguagem. Que Ele toma pequeninos em Seus braços e os abençoa (Marcos 10:16), testifica contra aqueles que haveriam de introduzir a sua própria invenção da exclusão de crianças. É precisamente porque elas estão incluídas no pacto, na igreja e no reino de Deus, inclusão essa que tem o batismo como sinal e selo, e porque Deus pôs o Seu nome sobre elas, que o apóstolo pode dizer aos pais “criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor” (Efésios 6:4). Não se cria uma árvore morta, mas sim uma planta viva. Nas epístolas, os filhos são considerados, tal como os adultos, irmãos santos, e chamados a honrar os pais em amor a Deus.

Com relação ao abuso e deturpação de Marcos 16:16, “Quem crer e for batizado será salvo,” a partir do qual alguns tentam excluir as crianças do batismo, por igualmente excluírem elas da fé e portanto também da salvação, essa interpretação deve ser rejeitada. O texto em si é uma promessa que acompanha a comissão de pregar o evangelho sobre o campo missionário, e não uma ordem acerca de como administrar o batismo. Esse erro dos batistas contradiz o Salvador, que fala desses “pequeninos que crêem em mim” (Mateus 18:6). Esse erro de exclusão também envolve uma falha na tentativa de interpretar as Escrituras através das Escrituras, pois a prática dos apóstolos era, debaixo da conversão dos gentios, que um crente e então a sua casa fosse batizada. Assim foi com o carcereiro filipense, com Lídia e com Cornélio. Assim, Paulo também fala do batismo dos “da casa de Estéfanas” (I Coríntios 1:16). Em questão está se existem dois tipos de salvação, a orgânica, uma unidade viva tal que Deus salva o Seu povo de geração a geração no Antigo Testamento, e um Deus diferente, com uma salvação diferente que é individualista, no Novo Testamento. Esse individualismo falso não é ensinado nas Escrituras. Em questão está realmente o evangelho da graça, isto é, que Deus salva o Seu povo em Cristo. É a Sua obra em nós pessoalmente (Efésios 2:8) e a Sua obra também para com um crente e a sua descendência (Gênesis 17:7). Não é o homem que salva a si mesmo, mas é Deus quem coloca o Seu nome sobre nós, em Cristo, tomando-nos para Si.

Fonte: What Jesus said about, Rev. Thomas Miersma, cap. 21.

Para material Reformado adicional em Português, por favor, clique aqui.



Fonte: Covenant Protestant Reformed Church

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