Preservação e Providência – CPRC


Rev. Ronald Hanko

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto1

Um aspecto da providência de Deus é chamado de “preservação.” Com isso queremos dizer que é Deus quem dá vida e existência a todas as suas criaturas e quem “preserva” elas e suas vidas. Ele não faz isso somente para a criação bruta—bestas e pássaros, planetas e estrelas, pastos e árvores—mas também para os homens, anjos e mesmo os demônios (Sl. 104:10-24; Lucas 8:26-33). Nele todas as criaturas vivem, se movem e têm sua existência (Atos 17:28).

Essa é uma grande verdade. Significa que nada existe, exceto que Deus esteja constantemente presente com e em tal coisa por seu poder onipotente, e que esteja sempre a sustentando. As coisas não existem por si mesmas, mas por causa de Deus. Isso é verdade da cadeira sobre a qual estou sentado enquanto escrevo isto, bem como sobre o sol e lua em seus cursos.

Isso também significa que a ordem e harmonia na criação não são o resultado das assim chamadas leis naturais, mas o resultado da onipresença de Deus (o seu estar em todos os lugares), e seu poder onipotente. Primavera, verão, outono e inverno não vêm todo ano na mesma ordem por causa das “leis naturais,” mas porque Deus fielmente as envia. Os planetas não obedecem às leis naturais permanecendo em seus cursos, mas obedecem a Deus, que os guia e dirige.

Essa obra de Deus na criação é um dos meios pelos quais ele dá testemunho de si mesmo a toda pessoa (Atos 17:24-28; Rm. 1:18-20). Não existe ninguém que será capaz de dizer a Deus no dia do julgamento: “Eu não te conheci.” Assim, eles serão inescusáveis, embora este testemunho de Deus na criação não seja uma revelação salvadora aos homens.

Vivendo no meio de tal testemunho do poder e fidelidade de Deus, é vergonhoso que os homens não o louvem (Rm. 1:21). Isso é especialmente verdadeiro porque Deus também os preserva e é providente para com eles. Ao invés de glorificá-lo e serem gratos, eles se voltam para a idolatria e imundícia, como Paulo aponta em Romanos 1.

A idolatria, portanto, não é uma busca a Deus, mas um afastar-se dele, e é uma evidência ao mesmo tempo que mesmo os pagãos conhecem algo do Deus verdadeiro. Ao afastarem-se dele, eles são entregues por Deus aos pecados mais grosseiros, especialmente ao pecado da homossexualidade (vv. 24-27). Mas mesmo isso é evidência que eles o conhecem.

Esses pecados vis são a justa punição para a ingratidão de tais homens. Agindo como bestas, que não conhecem a Deus, eles se tornam piores que elas, quando Deus os entrega aos pecados que até mesmo as bestas não cometem.

A presença de Deus e o seu poder preservador na criação são um testemunho maravilhoso ao crente do Deus que ele conhece e ama em Cristo. Alguém que sabe que em Deus ele vive, se move e têm sua existência, nunca temerá coisa alguma, e será eternamente grato, não somente porque Deus preserva e protege sua vida espiritual, mas também porque Deus lhe dá, dia a dia, vida e fôlego e todas as coisas (Atos 17:25). Ele morrerá em paz na confiança que aquele que dá e preserva a vida também a tira, e que Deus é o Pai fiel do seu povo, mesmo na morte.

Fonte (original): Doctrine according to Godliness, Ronald Hanko, Reformed Free Publishing Association, pp. 92-93.

1E-mail para contato: [email protected]. Traduzido em junho/2007.

Para material Reformado adicional em Português, por favor, clique aqui.



Fonte: Covenant Protestant Reformed Church

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