Duas Dispensações? – CPRC


Herman Hanko

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto / [email protected]

Introdução

O Dispensacionalismo é um erro sério em qualquer forma que ele apareça. Sua seriedade é especialmente evidente a partir do fato de que ele necessariamente envolve uma separação das Escrituras do Antigo da do Novo Testamento, ao negar qualquer relação essencial entre as duas. Ele ensina que a Escritura é realmente dois livros; sua unidade é fraturada, o princípio a Escritura interpreta a Escritura não pode ser plenamente aplicado, e a unidade orgânica da palavra de Deus é perdida na apologética Batista.

É minha convicção que os Batistas Reformados não têm escapado do erro do dispensacionalismo. Considere o seguinte, extraído do livro de [David] Kingdon:

Os teólogos Reformados Pedo-batistas são culpados de ler o Novo Testamento no Antigo. A apologética Pedo-batista é muito difícil de controlar, e por essa razão, ela passa do Novo para o Antigo e do Antigo para o Novo sem uma atenção apropriada ao desenvolvimento histórico da graça redentora.1

Embora eu negue a acusação de que os Reformados fracassam em dar uma atenção apropriada ao desenvolvimento histórico da graça redentora, eu devo perguntar: o que há de errado em passar do Novo para o Antigo Testamento, se a Escritura é um todo unificado? Eu não posso, por exemplo, provar a doutrina da ressurreição do Novo Testamento do corpo a partir do Antigo Testamento, usando Jó 19:25, 26: “Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus?”

Não há uma nenhuma relação orgânica ou intrínseca entre os dois testamentos no pensamento Batista. Um Batista realmente não pode dizer, “O Novo está contido no Antigo; o Antigo está explicado no Novo,” e nem mesmo dizer: “O Novo está velado no Antigo; o Antigo está revelado no Novo.” Os Batistas crêem que as diferenças entre os dois são grandes demais. Nós acusamos os Batistas Reformados de serem dispensacionalistas.2

Um Dispensacionalismo Implícito

Estamos fazendo injustiça à posição Batista Reformada quando a acusamos de dispensacionalismo? Afinal de contas, eles não afirmam com uma grande ênfase o repúdio deles deste erro? Eles não castigam seus companheiros Batistas por serem dispensacionalistas? Eles não concordam com os Reformados de que o pacto em ambos os testamentos é um e que o sinal do pacto tem o mesmo significado em ambos os testamentos?

A despeito destas afirmações, a posição Batista Reformada não escapa do dispensacionalismo. Há várias razões para essa afirmação. Embora eu pretenda desenvolver estes temas adicionalmente nos capítulos subseqüentes, um breve sumário será dado aqui.

Uma pessoa já se torna suspeita que o erro de separar os testamentos é cometido quando os Batistas Reformados insistem que a prova para o batismo de infantes deve ser reunida do Novo Testamento somente; qualquer prova do Antigo Testamento é considerada irrelevante. Por que esta insistência estranha sobre uma prova limitada ao Novo Testamento? A suposição por detrás disso é que o Antigo Testamento não tem nenhuma autoridade sobre esta questão. Os Batistas dizem que a menos que possa ser mostrado a partir do Novo Testamento que somos ordenados a batizar os infantes de crentes, a doutrina deve ser rejeitada. Isso é uma separação dos dois testamentos, intolerável para alguém que creia na unidade da Escritura. “Toda a Escritura é inspirada por Deus”. Porque toda a Escritura é inspirada por Deus, toda a Escritura é “útil para o ensino” (2 Timóteo 3:16).

Outra consideração importante é a relutância dos apologistas Batistas de se referir aos santos na antiga dispensação como “a igreja.” Se alguém ler os escritos Batistas, ele pode encontrar a palavra igreja aplicada aos santos no Antigo Testamento, mas extremamente infreqüente e com muita relutância. Mesmo quando é de certa forma relutantemente admitido que Estevão chamou corretamente a nação de Israel de “a igreja no deserto” (Atos 7:38, onde a mesma palavra para igreja, ecclesia, é usada como no restante do Novo Testamento), os Batistas Reformados são aversos quanto a se aplicar a esta igreja da antiga dispensação os atributos que o Credo dos Apóstolos aplica à igreja: unidade, santidade e catolicidade. “Eu creio numa igreja santa e católica.” Isto é, “eu creio numa igreja que do princípio ao fim do tempo é uma em Cristo, santa em Cristo, e católica em Cristo.”

Além do mais, enquanto os Batistas Reformados estão dispostos a fazer concessões aos Reformados sobre a questão da unidade do pacto, eles recuam num ponto crucial:

Fundamental para a abordagem deles [dos teólogos do pacto] é uma convicção legítima da unidade do pacto da graça durante ambas as dispensações. Sem questionar que a Escritura exibe esta unidade… Contudo, é minha convicção que a unidade do pacto tem sido enfatizada ao ponto de distorção. Em particular, a relação entre promessa e cumprimento é erroneamente interpretada.3

Esta é uma séria acusação. Crentes no batismo infantil enfatizam a unidade do pacto ao ponto de distorção? Como pode ser isso? Ou os dois testamentos são uma unidade, ou não são.

As promessas de Deus são uma parte importante do pacto. Elas são, como os Batistas admitem, espirituais em parte, e o conteúdo espiritual delas transcende os limites dispensacionais de ambos os testamentos. Isto é, as promessas de Deus referem-se às promessas espirituais em ambos os testamentos.

Contudo, os Batistas Reformados reivindicam que as promessas na antiga dispensação são promessas feitas ao Israel nacional, e na extensão em que elas foram feitas ao Israel nacional, elas referem-se a bênçãos materiais. O povo judeu recebeu promessas limitadas a eles como judeus e cumpridas na terra de Canaã e numa vida longa naquela terra. Este significado nacional e material da promessa de Deus é um que realmente importa. De fato, eles reivindicam, esta referência nacional e material desloca a referência espiritual, de forma que quase nada permanece de seu caráter trans-dispensacional. Embora essas promessas possam ter incluído bênçãos espirituais, as bênçãos espirituais nunca se tornaram realmente a herança da nação. Até onde diz respeito o Antigo Testamento, eles dizem, as bênçãos materiais eram tudo o que importava. E essas equivaliam a muito pouco.

Duas questões se levantam imediatamente. A primeira questão é: o que dizer sobre as bênçãos materiais para Israel quando não havia nenhum Israel? Mais da metade dos dois mil anos da história do Antigo Testamento foi finalizada antes da nação ser formada ao pé do Sinai. Antes disso viveram Adão, Sete, Enoque, Lameque, Noé e os santos que viveram entre o dilúvio e a chamada de Abraão. O que as promessas do pacto significavam para eles? Uma pessoa que sustenta a posição Batista Reformada pode somente concluir que elas não significavam nada.

A segunda questão que se levanta é: Como deve ser explicado o fato de que as promessas de Deus em seu caráter nacional e material realmente fracassaram? Embora durante o tempo de Davi e Salomão o reino de Israel tenha sido estendido até os limites prometidos a Abraão, não foi muito depois da morte de Salomão que o reino foi divido, o inimigo saqueou Jerusalém, e as nações pagãs fizeram de Canaã o campo de batalha dos gentios. Fomes assolaram a terra, pragas destruíram as safras, e invasores estrangeiros esmagaram o país ao pó. Ao invés de bênçãos materiais, houve seca, fome e sofrimento. Esta é, de acordo com os Batistas Reformados, a parte mais importante da promessa fracassada no Antigo Testamento.

É o reconhecimento da falta de bênçãos materiais que leva dispensioanalistas verdadeiros a olhar para uma realização futura destas promessas num reino de judeus na Palestina, durante algum tipo de milênio futuro. Até o presente, as promessas materiais não foram cumpridas ainda.

Outras declarações também levam uma pessoa a concluir que, mesmo no pensamento Batista Reformado, o dispensacionalismo é uma realidade. O uso de expressões tais como “as bênçãos temporais do pacto,” quando se referindo ao Antigo Testamento, não são de forma alguma raras. É dito que o novo pacto é distinto do antigo pelo fato de que o antigo foi escrito sobre tábuas de pedra, enquanto o novo pacto é escrito no coração,4 ignorando o fato de que a lei também era escrita nos corações do povo de Deus na antiga dispensação (Salmos 19:7-8; Salmo 119 quase em sua inteireza, mas especialmente os versículos 11, 129, 153). A membresia no antigo pacto, é reivindicado, era condicionada ao nascimento natural, enquanto a membresia no novo pacto é dependente da regeneração.5 Mas note como Davi implora por um novo coração em Salmo 51:10, uma oração que certamente foi ouvida. Além do mais, os Batistas Reformados reivindicam que no surgimento da nova dispensação, a religião foi transferida de uma base nacionalista para uma base eclesiástica,6 embora a nação de Israel seja chamada de a igreja no discurso de Estevão diante do Sinédrio (Atos 7:38). Tudo isso, é reivindicado, afeta grandemente a “interpretação do Antigo Testamento,” pois “ninguém pode simplesmente traçar uma linha reta desde o período Mosaico até o Novo Testamento.”7

Tudo isso leva os Batistas Reformados a uma conclusão somente: Deu tratou com a nação de Israel de uma forma fundamentalmente diferente daquela com ele trata a igreja da nova dispensação. Esta idéia se torna um dos princípios importantes de interpretação da Bíblia deles, que torna toda a verdadeira hermenêutica difícil, se não impossível:8 a unidade orgânica da Escritura é negada.

Uma Visão Correta da Relação entre as Duas Dispensações

Na realidade, por detrás da visão Batista Reformada do Antigo Testamento reside um conceito errôneo de qual era a verdadeira natureza da antiga dispensação. Qual é o verdadeiro caráter da antiga dispensação? Por que a antiga dispensação empregou formas de tipos e sombras, uma ênfase sobre a lei, e a circuncisão como o sinal do pacto?

Deve ser afirmado que um princípio importante da hermenêutica bíblica, especialmente como aplicado às Escrituras do Antigo Testamento, é o desenvolvimento histórico da graça redentora.9 A interpretação do Antigo Testamento depende do reconhecimento do fato de que Deus fez suas promessas conhecidas historicamente, de forma que a verdade delas fosse gradualmente desvendada em todas as suas riquezas.10

Os Reformados reconhecem que a antiga e nova dispensações carregam diferentes características distintivas. Características da antiga dipensação são os seus tipos e sombras, sua ênfase sobre a lei, e seu sinal de circuncisão como um sinal do pacto. Embora haja uma igreja, um povo de Deus, um pacto estabelecido com os membros eleitos da igreja, uma promessa do pacto, uma base para o pacto—a cruz do nosso Senhor Jesus Cristo—e uma obra da graça soberana ao estabelecer e manter este pacto, todavia, a administração desse pacto único diferencia em cada dispensação. Os Reformados não mancham as linhas divisórias entre as duas dispensações e não as tratam como a mesma. Os Reformados não identificam a unidade das dispensações tornando-as idênticas. As diferenças estão lá, mas essas diferenças não estão nas idéias essenciais do pacto, o povo do pacto, a promessa do pacto e o cumprimento do pacto. As diferenças residem no modo de administração. Deus administrou seu pacto diferentemente na antiga dispensação de como ele o faz na nova. E esta diferença de administração centra-se na vinda de Cristo. Este é o ponto sobre o qual os Reformados insistem.

Toda a administração do Antigo Testamento do pacto foi em tipos e sombras. Antes de Deus cumprir suas promessas do pacto na vinda e obra de Cristo, ele deu ao seu povo muitos séculos de instrução sobre a natureza da vinda de Cristo, a salvação realizada em Cristo, e as riquezas do pacto de Deus como abrangendo todas as bênçãos dessa salvação. Isto começou quando Deus primeiro revelou a promessa a Adão e Eva no paraíso e continuou até o fechamento do cânon do Antigo Testamento. Por todos os quatro mil anos de história do Antigo Testamento, Deus gradualmente disse mais e mais sobre a obra de Cristo e expandiu a revelação da salvação que Cristo realizaria.

Deus usou muitas formas diferentes para fazer isso. Algumas vezes ele falou diretamente ao seu povo através de teofanias, assim como ele falou a Adão, Enoque, Noé e Abraão. Algumas vezes anjos trouxeram informação do céu com respeito à obra de salvação de Deus em Cristo. Algumas vezes profetas foram apontados para trazer as profecias de Cristo ao povo. Algumas vezes Deus usou milagres para dar sinais das realidades do céu, relacionadas com a maravilha da salvação, ao seu povo. Seja qual for o meio que Deus escolheu para falar das suas promessas do pacto cumpridas em Cristo, ele assim o fez em conexão com e por meio de tipos. Estes tipos foram várias cerimônias, rituais ou instituições que prefiguravam a realidade de Cristo e de sua obra.

Deus deu à igreja na antiga dispensação um belo retrato do livro ao qual ele continuamente adicionaria novas páginas com novas figuras. Já antes da chamada de Abraão e a formação de Israel como o povo escolhido de Deus, a igreja estava em possessão de algumas dessas figuras. Por exemplo, evidentemente Deus introduziu a idéia toda dos sacrifícios, e a necessidade do perdão de pecados através do derramamento de sangue, quando ele vestiu Adão e Eva com peles de animais. Abel ofereceu um sacrifício mais excelente do que Caim, pois o sacrifício de Abel de um cordeiro apontava para o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Hebreus 11:4). O dilúvio e a salvação de Noé e sua família na arca eram retratos gráficos e poderosos do batismo (I Pedro 3:20-21), e da salvação final da igreja através da destruição desta presente criação na volta de Cristo (II Pedro 3:5-7).

O Israel crente olhava frequentemente para o livro e ficava impressionado com as maravilhosas figuras. Essas figuras incluíam as dez pragas que destruíram Faraó e capacitaram Israel a ser liberto da casa de escravidão; a passagem pelo Mar Vermelho, também uma figura do batismo (I Coríntios 10:1-3); o maná do céu; a água da rocha; o sacerdócio aarônico; e o tabernáculo. Essas eram figuras de Canaã, a nação de Israel, o templo e os sacrifícios oferecidos no templo. Essas figuras até mesmo incluíam o reino de Davi e Salomão, a derrota dos inimigos de Israel sob a liderança de Davi, e a prosperidade financeira do reino de Salomão.

A maravilha disso é que o Israel crente nunca se equivocou trocando a realidade pela figura. Isso é precisamente o ponto que os Batistas falham em apreciar. Quão tolo seria ver eslaides coloridos ou um vídeo do Parque Nacional de Yellowstone e confundir as figuras com a realidade. Israel não era tão tolo assim. Canaã era a terra da promessa para os patriarcas, mas somente como uma figura do céu, pois eles andaram na terra de Canaã como peregrinos e estrangeiros que morrem “sem terem recebido as promessas, mas, vendo-as de longe, e crendo nelas, e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.” Quais eram aquelas promessas que eles abraçaram? Elas eram as promessas do próprio céu como a herança deles, pois “[eles] desejam uma [pátria] melhor, isto é, a celestial,” e eles buscavam uma cidade da qual o Arquiteto e Criador é Deus (Hebreus 11:10, 13, 16).

Os patriarcas nunca confundiram a figura com a realidade.11 Eles nunca entenderam a promessa de que Deus lhes daria a terra de Canaã como uma possessão deles e da semente deles como sendo a realidade. Canaã era somente uma figura. Eles nunca se equivocaram pensando que a promessa de Deus era a terra de Canaã.

A própria nação de Israel era uma figura da igreja de todas as eras. O mesmo era verdade do Monte Sião e Jerusalém. Quando Israel cantou: “Grande é o SENHOR e mui digno de ser louvado, na cidade do nosso Deus. Seu santo monte, belo e sobranceiro, é a alegria de toda a terra; o monte Sião,” eles estavam cantando sobre a igreja em toda a sua glória e segurança. De fato, eles estavam cantando sobre uma igreja católica, pois a igreja de todas as eras, não o Monte Sião terreno, é a alegria de toda a terra (Salmo 48:1-2).

Quando as belas palavras do Salmo 87 ecoavam pelo lugar santo do templo, Israel entendia que a glória da igreja estava sendo celebrada: “Gloriosas coisas se têm dito de ti, ó cidade de Deus!” (v. 3). Esta cidade de Deus era uma igreja católica, reunida das nações na nova dispensação. Israel nunca tropeçou, como fazem os Batistas, nas referências à nação. Eles cantavam vigorosamente e com esperança: “Dentre os que me conhecem, farei menção de Raabe [Egito] e da Babilônia; eis aí Filístia e Tiro com Etiópia; lá, nasceram” (v. 4).

Israel era tanto uma verdadeira figura da igreja única de Cristo, que a Escritura chama a igreja gentílica da nova dispensação pelo nome Israel. Paulo conclui sua carta aos Gálatas com as palavras: “E, a todos quantos andarem de conformidade com esta regra, paz e misericórdia sejam sobre eles e sobre o Israel de Deus” (Gálatas 6:16).

Não podemos demonstrar como cada um dos tipos e sombras do Antigo Testamento apontava para as realidades do Novo Testamento, mas não há nenhuma exceção quanto a isso em toda a Escritura. O Catecismo de Heidelberg reconhece esta verdade quando ele declara o seguinte na Pergunta e Resposta 19:

P. Como você sabe isto? [deste único Mediador]

R. Pelo santo Evangelho, que o próprio Deus, de início, revelou no paraíso. Depois mandou anunciá-lo pelos santos patriarcas e profetas e, de antemão, o representou através dos sacrifícios e das outras cerimônias do Antigo Testamento. Finalmente, o cumpriu por seu único Filho.12

Podemos fazer a pergunta: Por que Deus administrou o pacto de uma maneira tão diferente no Antigo Testamento? A resposta é que Israel era uma criança e não um adulto maduro. Eles não poderiam ter entendido as realidades da promessa. Eles precisavam de figuras. Quando uma criança pequena faz uma pergunta teológica, eu não a remeto a uma página num livro de dogmática Reformada; eu pinto um retrato se puder, ou tento explicar a resposta numa linguagem tão pitoresca quanto puder achar. Ela entende figuras. É impossível ensinar crianças sem elas.

Um desenvolvimento desta idéia deve aguardar até o próximo capítulo. Agora devemos concluir que, embora de fato possamos falar de duas dispensações, devemos tomar cuidado para que não caiamos no erro do dispensacionalismo, que faz uma separação quase completa entre as duas.


1Kingdon, Children of Abraham, 41-42.

2Nota do tradutor: Certamente os Batistas Arminianos também sustentam uma posição errônea quanto ao batismo. Contudo, os Arminianos nem sequer crêem no pacto da graça (na verdade, a maioria nem sequer sabe que existe tal coisa). 3Ibid., 38. 4Ibid., 75,76. 5Ibid., 76. 6Ibid. 7Ibid. 8Hermenêutica é a ciência da interpretação bíblica. 9Poh Boon Sing, num livro intitulado The Keys of the Kingdon [As Chaves do Reino] (Petaling Jaya, Malasya: New Enterprise, 1995) me acusa de falhar em ver o desenvolvimento e progresso da revelação do Antigo Testamento. Ele escreve em resposta à primeira edição do We and Our Children: “Hanko transpõe a nação de Israel diretamente sobre a igreja da nova dispensação! A suposição tem sido de que Israel é o mesmo organismo como a igreja, o que, num sentido, é verdade. Mas ele falha em dar a devida atenção ao progresso e cumprimento. Ele começa declarando aceitavelmente que Israel era um tipo da igreja de Cristo. Mas ele identifica o antítipo com o tipo, de forma que as características externas do tipo – incluindo uma membresia misturada – são transportadas para o antítipo. A borboleta foi identificada com a lagarta, sem a devida atenção dada ao processo de desenvolvimento!” (p. 287). O sr. Poh, em defesa do batismo infantil, deseja que progresso e cumprimento signifique que não há nenhuma similaridade essencial entre Israel e a igreja do Novo Testamento. Ele também me critica por identificar o tipo e o antítipo. Ele realmente aponta o seu dedo para si mesmo na ilustração de uma lagarta e uma borboleta, pois o fato permanece de que embora a lagarta passe por uma transformação, a lagarta e a borboleta são essencialmente a mesma criatura. 10Para uma história do Antigo Testamento à luz do desvendamento gradual das promessas de Deus, veja Unfolding Covenant History, vols. 1-4 (Grandville, Mich.: Reformed Free Publishing Association, 2000-2003). 11Um princípio de hermenêutica está envolvido aqui, o qual não podemos desenvolver em detalhe, a despeito da sua importância. Também na determinação de o que no Antigo Testamento é um tipo e o que não é, o princípio, Escritura interpreta Escritura, desempenha um papel decisivo. Isto é, devemos limitar aqueles elementos no Antigo Testamento aos tipos que a própria Escritura designa como tipos. Se não pudermos achar tal designação, estamos proibidos de definir aquele elemento como típico. Se esta regra não for observada, em breve nos tornaremos culpados de alegorização, uma prática comum o suficiente nos círculos Batistas e Reformados. O cordão escarlate de Raabe se torna um tipo de uma artéria de Cristo pelo sangue da qual escapamos dos pecados da Jericó deste mundo. A arca se torna um tipo do corpo de Cristo e a janela um tipo do furo em seu lado feito pela lança do soldado romano. O pregador com a imaginação mais fértil se torna então o melhor exegeta da Escritura. 12Catecismo de Heidelberg. Disponível em: http://www.monergismo.com/textos/catecismos/catecismo_heidelberg.htm.

Fonte: We and Our Children: The Reformed Doctrine of Infant Baptism, Herman Hanko, second edition [Grand Rapids: Reformed Free Publishing Association], páginas 8-17.

Para material Reformado adicional em Português, por favor, clique aqui.



Fonte: Covenant Protestant Reformed Church

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