Cheio do Espírito Santo, Sabedoria e Fé – CPRC


Douglas J. Kuiper

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto1

Porque os diáconos servem como representantes oficiais de Jesus Cristo à sua igreja, Deus requer que sua igreja escolha homens qualificados para esse ofício. Já observamos que eles devem ser homens,2 e que devem ser homens crentes que receberam da parte de Deus graças espirituais da salvação em Cristo.

Alguém que recebe tal graça deve e manifestará a mesma em sua vida.

Com respeito a todo filho de Deus, esse é o caso. Devemos manifestar a graça, mostrar nossa gratidão a Deus pela salvação. E faremos isso, “pois é impossível que aqueles que estão implantados em Cristo, por verdadeira fé, deixem de produzir frutos de gratidão” (Catecismo de Heidelberg, Domingo 24, P&R 64). É impossível porque a manifestação dessa graça não é obra nossa, mas a obra de Deus em nós. Deus não dá a graça do perdão, da nova vida e da santificação, sem conceder também a graça para manifestar essa nova vida. Somos salvos pela graça, mediante a fé, não de nós mesmos, ensina Paulo em Efésios 2:8-9. Ele então continua no versículo 10 para dizer: “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” E lembra aos crentes de Filipo em Filipenses 2:13: “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.”

Se todo filho de Deus deve e manifestará a graça de Deus em sua vida, ainda mais deve o diácono assim fazer. Ele representa o Deus santo e impecável diante do seu povo – que o diácono seja santo, como Deus é santo! Sua vida deve ser um exemplo, ao povo de Deus, de obediência voluntária a todos os mandamentos de Deus.

Tendo tudo isso em mente, não ficamos surpresos que algumas das qualificações para o ofício de diácono têm a ver com como ele vive sua vida, isto é, como manifesta a graça de Deus nele. E para esse aspecto das qualificações para o diaconato voltamos a nossa atenção agora.

Que é requerido que os diáconos manifestem a graça de Deus é claro a partir do que a Escritura nos diz sobre os primeiros diáconos. Eles deveriam ser homens “de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria” (Atos 6:3). Dois versículos adiante, lemos que Estevão era “cheio de fé e do Espírito Santo.”

Em nosso último artigo enfatizamos que esses versículos indicam que os primeiros diáconos tinham recebido a graça de Deus. É igualmente verdade, contudo, que eles indicam que esses sete homens manifestavam a graça de Deus na forma como viviam. Que eles eram “cheios” de fé, sabedoria e do Espírito Santo é obviamente algo que a igreja primitiva poderia ver como sendo verdadeiro a respeito deles. Se não, como poderia a igreja primitiva escolher esses homens para o ofício? O que os distinguiria de outros homens como sendo eminentemente qualificados para a obra?

O que era verdadeiro dos primeiros diáconos deve ser verdadeiro dos diáconos hoje. Diáconos, vocês vivem como se fossem cheios da graça de Deus? Algo que está cheio não pode receber mais. Vocês poderiam responder: “Somos vasos fracos e pecaminosos; sempre precisamos mais da graça de Deus.” Verdade! Todo dia precisamos. E nunca poderemos ter graça suficiente. Todavia, Deus pode nos encher com sua graça, capacitando-nos – não no sentido de não precisarmos de mais nada, mas no sentido que nós, por natureza vasos fracos e pecaminosos, somos cheios para transbordar com essa graça. Ela jorra para fora! Esse é o ponto da palavra “cheio” em Atos 6! Diáconos, vocês são tão cheios da graça de Deus, do Espírito Santo, de fé e de sabedoria, que transbordam? Concílios e congregações, é o fato dos homens atualmente servindo no diaconato de suas igrejas serem “cheios” dessa graça a razão pela qual foram nomeados e escolhidos para o ofício?

Sem dúvida, não queremos dizer e a Escritura não ensina que todo homem cheio desses dons deve estar no ofício. Que bênção ter uma igreja na qual todo homem é cheio desses dons! Mas o ponto é: ninguém que não seja cheio desses dons pode ser colocado no ofício de diácono.

A questão posta diante dos diáconos, se são cheios desses dons ou não, é muito séria. Que homem pode ser cheio de tais coisas por si mesmo? Nenhum! A própria plenitude dessas graças é dom de Deus. A ele seja toda a glória e louvor! Além do mais, o diácono conhece sua própria fraqueza e inaptidão. Certamente ele não pensa que em dado momento é evidente que ele seja cheio do Espírito Santo e de sabedoria.

Coragem, homens! Somos ensinados na Escritura que Deus dará esses dons continuamente, e em maior medida, mediante nossas orações contínuas e fervorosas para tal. Tendo lembrado aos seus discípulos que um homem se levantaria à meia-noite para dar comida a um amigo necessitado, ao invés de mandá-lo embora, Jesus diz que Deus fará o mesmo conosco. Lemos em Lucas 11:9-13: “E eu vos digo a vós: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á; porque qualquer que pede recebe; e quem busca acha; e a quem bate, abrir-se-lhe-á. E qual o pai dentre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou também, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente? Ou também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Pois, se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?”

Citei essa passagem na íntegra, para que possamos ficar mais impressionados com o ponto de Jesus: Deus certamente responderá nossas orações! Mas note também pelo que devemos orar, e o que Deus sem dúvida nos concederá: o Espírito Santo! Essa passagem mostra que todos os filhos de Deus, incluindo os diáconos, devem orar pelo Espírito Santo em confiança que Deus certamente lhes outorgará. Ore por muito, e muito será dado!

Visto que a fé e a sabedoria são dons particulares dados por Deus pelo Espírito, Jesus por implicação nos instrui a orar por eles também, confiantes que serão nos dado. Mas passagens particulares da Escritura nos lembram a orar especificamente por fé e sabedoria. Os discípulos oraram, assim como devemos, por uma medida maior e mais forte de fé: “Aumenta-nos a fé” (Lucas 17:5, ARA). E Tiago escreveu: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada” (Tiago 1:5). Que bela promessa! Deus não lançará em rosto; ele não nos repreenderá por pedir, nem deixará nosso pedido sem resposta. Bem que ele poderia, pois o fato que permanecemos em necessidade de sabedoria é nossa falta. Mas não o fará. Pelo contrário, a dará liberalmente! Mas devemos pedir com fé, não duvidando.

O diácono – e todo filho de Deus – que ora para ser cheio dessas graças, e que faz sua oração sinceramente, receberá o que deseja.

Quanto mais ciente estiver de sua necessidade, mais fervorosamente alguém orará. Quais são esses dons, e por que precisamos deles?

O Espírito Santo é, sem dúvida, a terceira pessoa da Trindade, co-eterno e co-igual com o Pai e o Filho. Ele foi dado por Deus ao Cristo ascendido, e derramado por Cristo sobre a igreja no dia de Pentecoste, para ser o agente de Cristo na salvação de sua igreja.

A obra do Espírito Santo, falando de forma geral, é dupla. Primeiro, Deus pelo Espírito Santo opera em todos nós as bênçãos da salvação. Regeneração, chamado, fé, justificação, santificação – todos esses dons que estão inclusos na obra salvadora de Deus em nós, são operados em nós pelo Espírito Santo. Assim, todo filho de Deus necessariamente tem o Espírito Santo. Segundo, Cristo pelo Espírito Santo chama homens ao ofício em sua igreja, e equipa-os para o ofício. Os dons que ele dá nessa conexão são todas as qualificações necessárias para desempenhar as tarefas que Deus nos dá no corpo de Cristo. E novamente, todo filho de Deus tem o Espírito Santo nesse sentido, pois todos possuem o ofício de crentes, e todos têm um lugar particular no corpo. Nesse sentido, contudo, os pastores, presbíteros e diáconos da igreja devem ter o dom do Espírito Santo em medida especial.

O diácono deve ser cheio com o Espírito Santo nos dois sentidos – como um filho de Deus salvo, e como alguém chamado para o ofício. Ele deve ter a certeza que seus pecados foram perdoados, e ter a força para viver uma vida piedosa; e deve também estar certo que Deus o chamou para o diaconato e lhe concedeu os dons necessários para servir nesse ofício. Se alguém perguntar a qual sentido Atos 6:3, 5 se refere, quando diz dos diáconos e de Estevão como sendo cheios do Espírito Santo, minha resposta é dupla. Primeiro, os dois sentidos não podem ser completamente separados; um lugar no corpo de Cristo é dado somente àqueles que foram redimidos por Cristo. Pela regeneração, a pessoa é trazida para o corpo. Todavia, em segundo lugar, a ênfase em Atos 6 parece cair sobre o segundo aspecto, que esses homens eram particularmente dotados para a obra do diaconato.

Diáconos, sem dúvida vocês conhecem a sua necessidade do Espírito Santo! Vocês devem crescer em graça espiritual – mesmo a fé e a santificação são dadas continuamente. Orem continuamente por isso! E vocês têm ciência que precisam de graça para serem qualificados para o ofício que sustentam. Orem fervorosamente a favor disso!

Sabedoria é a capacidade espiritual de dirigir as ações de uma forma que o objetivo de alguém seja melhor alcançado. O objetivo deveria ser a glória de Deus em tudo o que fazemos. Todo filho de Deus precisa de sabedoria para buscar a glória de Deus em como ele vive. Essa sabedoria é encontrada na lei de Deus, em toda a Escritura, e em Cristo. Os diáconos também precisam de sabedoria para viver suas vidas – precisam da capacidade de saber como melhor viver para a glória de Deus como um diácono deveria, manifestando que estão qualificados para o ofício que possuem. E eles precisam de muita sabedoria para desempenhar a tarefa do seu ofício. Seu objetivo nessa obra é a glória de Deus, através da edificação e cuidado dos necessitados na igreja. Quando confrontado com várias circunstâncias e situações dos pobres e necessitados, e ao discutir com outros diáconos a melhor forma de ajudá-los, o diácono se torna muito consciente que precisa de sabedoria. Se não se torna consciente disso enquanto lida com o seu trabalho, ele é de fato um diácono muito pobre!

Diáconos, vocês oram por sabedoria? Santos, vocês oram por seus diáconos, para que Deus lhes conceda sabedoria?

Por último, o diácono deve ter fé. Confio que sabemos muito bem o que é esse dom. É o conhecimento espiritual e a confiança na verdade da Escritura, e que todas as bênçãos espirituais se tornam nossas por causa de Cristo. No último artigo explicamos porque é necessário o diácono ter fé, em conexão com a necessidade dele guardar “o mistério da fé em uma pura consciência” (1Tm. 3:9).

Nessa fé o diácono deve ser continuamente preservado e crescer continuadamente. É imperativo, então, que o diácono ore por isso, e que a congregação também implore a Deus para que ele conceda uma rica medida de fé sobre os diáconos na igreja.

Mas até esse ponto observamos somente o que Atos 6 diz sobre as qualificações do diaconato no qual a graça de Deus é manifesta. Devemos examinar também as declarações pertinentes em 1 Timóteo 3. Faremos isso em nosso próximo artigo, se Deus quiser.


1E-mail para contato: [email protected]. Traduzido em agosto/2007. 2As Qualificações dos Diáconos (3): Recipientes Masculinos da Graça de Deus

Para material Reformado adicional em Português, por favor, clique aqui



Fonte: Covenant Protestant Reformed Church

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